Desporto

A solidão de José Antonio Camacho

Por Carla Cacha 3 de Outubro 2007 Comentar (1) Enviar -->

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“Não tenho amigos com quem jantar e sair” – Foram estas as palavras de José Antonio Camacho durante a conferência de imprensa que antecedeu o jogo da Liga dos Campeões entre o Benfica e o Shaktar Donetsk. Na segunda passagem pelo futebol português, o técnico espanhol não se fez acompanhar pela familia (a esposa ficou em Madrid com os filhos que frequentam uma das escolas mais prestigiadas da capital espanhola). A escolha do Seixal como local privilegiado para viver (um T1 humilde com kitchnet) deve-se à proximidade do centro de treinos do Benfica. No entanto, para chegar ao Estádio da Luz, José tem de mudar três vezes de transporte (autocarro, barco e metro).

“Durante a semana, apanho uma camioneta que me deixa quase à porta do complexo de treinos do Benfica”. O problema surge quando tem de se deslocar ao Estádio da Luz: “os jogadores não gostam de dar boleia ao treinador, preferem ir com os colegas ou com os familiares”, revela Camacho. Para além disso, “eles despacham-se mais rápido que eu no duche. Eu suo bastante e isso acaba por me obrigar a fazer uma lavagem de estrada”. Mas o treinador do Benfica diz que esta é a melhor profissão do mundo: “As brincadeiras no balneário são muito engraçadas. Uma vez o Luisão trancou-me no cacifo, foi-se embora e eu acabei por passar lá a noite. É muito divertido”.

À noite, as saudades apertam e sente falta da mulher. O talento que demonstrou enquanto futebolista não lhe serve de muito quando chega a hora das refeições. Ao lanche, o bocadillo de torresmos do café “Sô Vitor” aconchega-lhe o estômago. Ao jantar, a escolha recai normalmente “numa refeição já preparada do Lidl que depois aqueço no microondas”. A Paella congelada, segundo Camacho, é óptima. “Janto em frente à televisão, falo com a minha esposa ao telefone e acabo por adormecer no sofá”, revela Jose, com um semblante carregado.

Mas a raça que Camacho demonstrou enquanto jogador do Real Madrid mantém-se inalterada: “Não viro a cara à luta. Quando cheguei, as coisas estavam piores. Mas desde que tenho TVCabo com o pacote Funtastic Life e os novos canais da Fox, a minha vida mudou”. Fanático por séries como “Joey” ou “Tru Calling”, o espanhol não descansou enquanto não conseguiu ter televisão por cabo na sua residência. Em jeito de recado para os jogadores do Benfica, Camacho começou por dizer que adora Tru “pela força e energia que demonstra ao longo dos vários episódios, sem nunca desistir de lutar por aquilo que considera correcto”. Sobre o momento mais assustador da série (n.d.r.: quando os mortos pedem a Tru que os ajude), o treinador espanhol admite, envergonhado, que já soltou “um pinguinho ou dois” [de urina] pelo medo que sente.

Comentários

Um comentário a “A solidão de José Antonio Camacho”

  1. Como te compreendo Ze Antonio!A Solidao… A familia longe!Estou a 400 metros da minha namorada e quando a solidão se torna DURA que 400 metros tão longos!Compreendo o teu fascinio pela companhia da televisão…Programas como os Batanetes ou os Malucos do Riso fazem-te recordar o teu dia a dia com a equipa do Benfica.Ate te aconselhava umas saidas nocturnas e ires arranjar amizades a sitios selectos e de requinte como o Black Tie, mas pela experiencia do Eusebio, fico um pouco reticente aquanto de tal aconselhamento.tenho de ir andando….

    Por Eduardo "Dado" Franco | 24 de Novembro 2007, 3:25

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